Suprema Corte dos EUA aprova mapa manipulado do Alabama
A Suprema Corte dos Estados Unidos, liderada pelo presidente John Roberts, aprovou na segunda-feira (10) um mapa congressional manipulado do Alabama, que reduz a representação de eleitores negros no estado. A decisão, tomada por 6 votos a 3 e alinhada politicamente, ignora precedentes judiciais e abre caminho para novas manipulações eleitorais antes das eleições de 2026.
Decisão controversa e alinhamento político
A Suprema Corte, composta majoritariamente por juízes indicados por presidentes republicanos, derrubou suas próprias decisões anteriores para permitir que o Alabama utilize um mapa que reduz de dois para um o número de distritos congressionais com maioria negra. A decisão ocorre menos de duas semanas após a corte anular parte da Lei de Direitos Eleitorais no caso Louisiana v. Callais, que também prejudicou a representação de minorias.
O mapa aprovado na segunda-feira entra em vigor imediatamente, mas abre a possibilidade de o legislativo do Alabama tentar eliminar os dois distritos com maioria negra existentes, o que deixaria o estado — berço do movimento pelos direitos civis — sem nenhuma representação negra no Congresso. Historicamente, o Alabama foi palco de eventos como o boicote aos ônibus de Montgomery, as Freedom Rides, o atentado à igreja batista de Birmingham e a Bloody Sunday em Selma.
Precedentes ignorados e impacto eleitoral
Em 2022, a mesma Suprema Corte havia rejeitado um mapa do Alabama com apenas um distrito de maioria negra no caso Allen v. Milligan, ordenando a criação de um segundo distrito. No entanto, a decisão de segunda-feira reverte esse entendimento, permitindo que o estado ignore tanto a legislação quanto as decisões judiciais anteriores. Especialistas alertam que a medida beneficia diretamente o Partido Republicano, que busca garantir vantagem nas eleições de novembro.
Kareem Crayton, especialista em redistritamento do Brennan Center for Justice, criticou a decisão:
"A insistência do chefe de Justiça John Roberts de que os juízes não são atores políticos soa absurda diante de uma decisão que claramente beneficia um partido. Não é necessário ter formação jurídica para perceber que há algo de errado quando a corte age de forma tão partidária."
Manipulação eleitoral em ascensão
Analistas destacam que a decisão da Suprema Corte não apenas libera uma nova onda de manipulações eleitorais raciais e partidárias, mas também remove obstáculos para que os republicanos conquistem mais cadeiras no Congresso, potencialmente impedindo os democratas de recuperar a maioria na Câmara dos Representantes.
O caso reforça críticas de que a Suprema Corte, sob liderança de Roberts, tem atuado de forma cada vez mais alinhada aos interesses do Partido Republicano, ignorando princípios de equidade e justiça eleitoral.