Um juiz federal de Nova York rejeitou, nesta semana, a ação de difamação movida pelo jornalista e escritor Matt Taibbi contra o autor e a editora do livro Owned: How Tech Billionaires Bought the Loudest Voices on the Left (em tradução livre, Owned: Como bilionários de tecnologia compraram as vozes mais altas da esquerda). A decisão, assinada pelo juiz George Daniels, do Tribunal Distrital do Sul de Nova York (S.D.N.Y.), encerra uma disputa que envolve liberdade de expressão, responsabilidade editorial e a relação entre mídia e poder político.
A obra, escrita por Lee Fang Higgins e publicada pela Bold Type Books, investiga como elites tecnológicas e jornalistas que antes se identificavam com a esquerda teriam se aliado para criar um novo ecossistema midiático de direita. O livro retrata Taibbi como um exemplo de profissional que, após perder apoio no campo progressista, teria se aproximado de audiências conservadoras.
Taibbi, conhecido por sua carreira em veículos como a Rolling Stone — onde ganhou destaque cobrindo os excessos do sistema financeiro durante a crise de 2008 — é descrito no livro como uma figura que teve sua reputação abalada após questionar alegações sobre a interferência russa nas eleições de 2016 nos EUA. O texto também menciona o ressurgimento de escritos antigos de Taibbi, considerados misóginos por alguns críticos.
Em 2020, Taibbi deixou a Rolling Stone para lançar sua própria newsletter na plataforma Substack. Dois anos depois, com a aquisição do Twitter por Elon Musk, o jornalista teve acesso a documentos internos da rede social, conhecidos como Twitter Files. Segundo o livro, Musk teria oferecido a Taibbi a oportunidade de analisar esses dados em troca de publicações exclusivas na plataforma.
Em dezembro de 2022, Taibbi publicou suas primeiras reportagens sobre os Twitter Files, incluindo alegações de que a rede social teria censurado uma matéria do New York Post sobre o laptop de Hunter Biden às vésperas da eleição de 2020. O livro, no entanto, também menciona que a exposição gerada pelo projeto resultou em perdas financeiras para Taibbi: cerca de 4.844 cancelamentos de assinaturas e uma queda de US$ 20.644 em receitas durante dois meses, devido à insatisfação de leitores que não gostaram de seu trabalho ser publicado em outra plataforma.
O juiz Daniels destacou que, embora o livro apresente opiniões e interpretações sobre a trajetória de Taibbi, não há provas suficientes de que as afirmações sejam falsas ou que tenham sido feitas com intenção maliciosa. A decisão reforça o direito à crítica e ao debate público, mesmo quando envolve figuras públicas.
"O tribunal concluiu que as alegações do livro não ultrapassam os limites da liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda, especialmente quando tratam de figuras públicas como o autor", afirmou o magistrado em sua sentença.
Em 2023, Musk teria oferecido a Taibbi a migração para a plataforma Twitter Subs, com a promessa de mais assinantes, mas o jornalista recusou, alegando preocupações com a percepção de que estaria vinculado à rede social. A decisão judicial, portanto, não apenas encerra o processo, mas também reafirma o papel da mídia independente em um cenário cada vez mais polarizado.