Novo Nissan Murano 2026: Eficiência à custa do prazer de dirigir

Receber um Nissan Murano como carro de aluguel nunca foi um problema. Além disso, o modelo não costumava despertar grandes emoções. No entanto, após testar o novo Murano 2026, as impressões foram mais intensas do que o esperado — e não exatamente positivas. A constatação mais surpreendente? Sentimos falta do antigo motor V6.

Não há objeção ao uso de motores 4-cilindros turboados em si. Existem diversos modelos no mercado que cumprem bem essa função. Além disso, a tecnologia de compressão variável da Nissan é, de fato, inovadora. Em um mercado cada vez mais homogêneo, é raro encontrar carros que se diferenciam tecnologicamente, mesmo que essas diferenças não se traduzam em melhorias tangíveis na experiência de condução. É único? Sim. Melhor? Não necessariamente.

Para engenheiros, talvez essa tecnologia represente uma eficiência marginal de um ou dois pontos percentuais em relação a um turbo 4-cilindros convencional. A ideia de compressão variável fazia sentido na era em que a Nissan equipava tudo com CVT e tração dianteira. Era como resolver uma equação de segundo grau: quanto mais variáveis, melhor. Ou algo assim. O ensino médio foi há 30 anos, então perdoem a analogia.

O problema não é a tecnologia, mas a aplicação. A combinação de compressão variável e transmissão continuamente variável (CVT) não contribui para uma experiência de condução mais agradável. Essa mesma configuração estreou no Infiniti QX50 em 2016 — um motor competente acoplado a uma transmissão apenas 'mediana', assim como a versão menor no Rogue. Mas o Murano não é um Rogue.

Murano exige mais: por que o V6 fazia sentido?

Embora compartilhe a configuração de dois bancos com o Rogue, o Murano é construído sobre uma plataforma mais larga e atende a um público disposto a investir mais de US$ 40 mil em um SUV de duas fileiras. É maior e mais robusto do que seu irmão compacto, assim como o Honda Passport e o Subaru Outback, seus principais concorrentes. E justamente por isso, versões anteriores do Murano tinham espaço de sobra sob o capô para acomodar um V6 — algo que sempre fez sentido.

Enquanto a Honda ainda oferece um V6 no Passport, a Subaru abandonou o flat-six no Outback há anos, substituindo-o por um turbo 2.4-litros de 260 cv. Apesar de manter a transmissão CVT, o modelo da Subaru se mostra mais ágil na prática. Segundo testes da Car and Driver, o Outback acelera de 0 a 60 mph (0 a 97 km/h) em um segundo a menos que o Murano. Não se trata de velocidade bruta — o Murano não precisa ser tão rápido quanto um carro esportivo —, mas sim de uma condução mais responsiva no dia a dia.

O motor atual do Murano não é mais lento nem mais rápido que o antigo V6 em termos de desempenho puro. A diferença está na sensação ao dirigir: o propulsor 4-cilindros turboado parece pequeno em comparação, algo que o V6 não transmitia. A justificativa da Nissan é clara: o foco está em eficiência e emissões, não necessariamente no prazer de dirigir. Reguladores avaliam a eficiência de forma diferente, e o motor atual atende melhor a esses critérios.

"O Murano sempre foi mais sobre o pacote do que sobre desempenho. O novo modelo, com seu visual futurista e design arrojado, reforça essa abordagem. Mas, na prática, o motor 4-cilindros turboado não entrega a mesma vivacidade que o V6 proporcionava."

Conclusão: eficiência x experiência

Embora a Nissan argumente que seu público-alvo não necessariamente deseja o retorno do V6, os fatos mostram que o Murano enfrenta concorrentes que oferecem uma condução mais dinâmica sem abrir mão da eficiência. O Subaru Outback, por exemplo, prova que é possível equilibrar os dois aspectos.

Para quem busca um SUV premium com motorização eficiente, o novo Murano pode ser uma opção. No entanto, para aqueles que valorizam uma condução mais envolvente e responsiva, a ausência do V6 deixa uma lacuna difícil de ignorar.