Menos da metade dos artigos publicados por pesquisadores financiados pelo National Institutes of Health (NIH) analisam ou relatam seus dados considerando o sexo dos participantes, de acordo com um novo estudo. Essa lacuna pode dificultar a interpretação dos resultados para homens e mulheres.
Há mais de dez anos, o NIH estabeleceu diretrizes para promover a inclusão da variável sexo como biológica (SABV, na sigla em inglês) em estudos financiados. As orientações recomendam que pesquisadores considerem o sexo na concepção, análise e divulgação dos dados, mas não obrigam a investigação de diferenças entre sexos nos resultados.
Segundo os pesquisadores, a falta de padronização na aplicação dessas diretrizes contribui para a baixa adesão. Enquanto alguns estudos incluem análises separadas por sexo, outros sequer mencionam a variável, comprometendo a transparência e a reprodutibilidade da ciência.
A equipe analisou mais de 2.300 artigos publicados entre 2016 e 2020, financiados pelo NIH. Os resultados revelaram que apenas 42% dos estudos atenderam minimamente às recomendações da instituição.
Para especialistas, a ausência de dados estratificados por sexo limita o avanço do conhecimento científico, especialmente em áreas como medicina e farmacologia, onde as diferenças biológicas entre homens e mulheres podem influenciar tratamentos e diagnósticos.
"A ciência precisa ser inclusiva por padrão. Se não analisamos os dados por sexo, estamos deixando metade da população de fora das descobertas", afirmou uma das autoras do estudo.
O NIH já havia reconhecido a importância da SABV em 2015, quando publicou uma nota orientativa reforçando a necessidade de considerar o sexo como uma variável crítica em pesquisas pré-clínicas e clínicas. No entanto, a implementação efetiva ainda enfrenta desafios, como a falta de treinamento específico para pesquisadores e a ausência de fiscalização rigorosa.
Especialistas sugerem que a adoção de políticas mais rígidas e a criação de ferramentas para facilitar a análise por sexo poderiam melhorar os índices. Além disso, revistas científicas poderiam exigir a inclusão de dados estratificados como critério para publicação.