O PJM Interconnection, maior mercado de energia elétrica dos Estados Unidos, reabriu recentemente suas portas para novos projetos de geração, com destaque para usinas movidas a gás natural. A decisão marca o fim de um hiato de dois anos na avaliação de novos empreendimentos, período em que a fila de interconexão acumulou mais de 2,6 mil projetos, totalizando 107 gigawatts — dois terços deles provenientes de fontes renováveis.
Mudança no perfil dos novos projetos
Em agosto de 2024, o PJM anunciou a retomada dos estudos de interconexão, com um novo processo reformulado. Até a data limite desta semana, 811 projetos, somando 220 gigawatts, foram submetidos para análise. Embora a maioria dos projetos (536) seja de energia solar, armazenamento ou híbridos, a capacidade total é dominada pelo gás natural, que representa quase metade do volume (106 gigawatts).
Desafios para as renováveis
Nos últimos anos, as energias solar e eólica enfrentaram obstáculos significativos. A inflação elevada, os altos juros pós-pandemia e a guerra na Ucrânia encareceram os projetos renováveis, mesmo com a queda nos custos da energia solar. Além disso, a incerteza regulatória, agravada pela possível volta de políticas contrárias às energias limpas, tornou o cenário ainda mais complexo.
Segundo dados do PJM, desde 2020, apenas 23 gigawatts dos 103 gigawatts em acordos de interconexão resultaram em nova capacidade conectada à rede. Três em cada quatro projetos estudados foram desistidos antes de entrarem em operação.
Reforma no processo de interconexão
Para agilizar o processo, o PJM implementou um novo modelo de priorização: o "primeiro pronto, primeiro atendido", substituindo o antigo sistema de "primeiro a chegar, primeiro a ser atendido". A mudança visa priorizar projetos mais avançados e com maiores chances de conclusão.
Jon Gordon, diretor sênior da Advanced Energy United, destacou que o novo sistema é essencial para lidar com a crescente demanda por energia, impulsionada pelo boom de data centers e pela necessidade de aliviar os preços elevados. "Eles passaram os últimos quatro anos trabalhando para resolver a fila de projetos, e esse processo agora está concluído", afirmou.
Pressão por capacidade e preços altos
O PJM enfrenta uma potencial escassez de 50 a 60 gigawatts nos próximos dez anos, segundo projeções recentes. Atualmente, a capacidade instalada do mercado é de cerca de 180 gigawatts — suficiente para abastecer cerca de 800 mil residências por gigawatt.
Os preços da energia elétrica no PJM subiram quase 50% desde 2020, passando de US$ 0,126 por quilowatt-hora para US$ 0,187. As contas residenciais médias também aumentaram, de cerca de US$ 128 para US$ 161 por mês.
"A reforma na fila de interconexão não poderia chegar em um momento mais crítico. A demanda por energia está explodindo, e precisamos de soluções rápidas para evitar apagões e manter os preços sob controle."
Perspectivas para o futuro
Embora o gás natural lidere os novos projetos, a participação de renováveis ainda é significativa em número. No entanto, especialistas alertam que, sem um ambiente regulatório estável e investimentos contínuos, a transição energética pode enfrentar novos atrasos. O PJM, agora, precisa equilibrar a urgência por capacidade com a necessidade de diversificar sua matriz energética.