A indústria de games vive um momento de forte consolidação. Nos últimos meses, gigantes como Ubisoft — que criou uma nova subsidiária em parceria com a chinesa Tencent — e a Electronic Arts (EA), que anunciou uma megafusão de US$ 55 bilhões liderada pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, passaram por mudanças significativas. Há uma década, mais de uma dezena de empresas de games eram listadas na bolsa; hoje, restam poucas independentes.
Nesse cenário, a Take-Two Interactive Software, dona da Rockstar Games e da icônica franquia Grand Theft Auto (GTA), mantém-se como uma das poucas grandes empresas ainda não absorvidas por concorrentes. Enquanto rivais como Activision-Blizzard e EA foram alvo de aquisições, a Take-Two segue firme — e agora mira seu próximo movimento.
Em entrevista à Fast Company, o CEO Strauss Zelnick afirmou que a empresa já estuda novas aquisições, embora o foco imediato seja o crescimento orgânico. Segundo ele, a próxima grande operação pode levar alguns anos para se concretizar. "Acredito que, nos próximos dois anos, nossa história será de crescimento orgânico. Mas, se fizermos tudo certo, estaremos em posição de também fazer algo inorgânico", declarou. "E, claro, temos interesse em crescer."
Zelnick não revelou alvos específicos, mas admitiu que a empresa já tem algumas opções em vista. "Temos nossos olhos em algumas oportunidades, mas elas podem não estar disponíveis quando chegarmos lá. Não há garantias, mas acredito que ainda haverá espaço, independentemente do cenário", afirmou.
Quando a Take-Two finalmente abrir o cofre para uma nova aquisição, o foco será, provavelmente, no segmento de games mobile. Hoje, os jogos para celular já representam metade da receita da companhia. "Há algumas empresas — não vou citar nomes — no setor mobile que nos impressionam muito. Menos no segmento de consoles", disse Zelnick.
GTA VI: o grande lançamento que domina os planos da Take-Two
Parte da cautela em relação a novas aquisições pode estar ligada ao lançamento de Grand Theft Auto VI, previsto para 19 de novembro. O aguardado game, desenvolvido pela Rockstar Games, promete ser um dos maiores sucessos da indústria. Durante o iicon conference, evento exclusivo para líderes do setor, Zelnick afirmou que a campanha de marketing do jogo começará "em breve", sinalizando que não há previsão de novos adiamentos.
As expectativas são altíssimas. O antecessor, GTA V, lançado em 2013, já vendeu mais de 225 milhões de cópias e gerou quase US$ 10 bilhões em receita para a Take-Two. Mesmo após uma década, o jogo ainda figura entre os 11 mais vendidos do mercado, segundo dados da Circana — um feito raro para títulos com mais de dez anos. A maioria dos games desaparece das paradas de vendas em poucos meses; poucos conseguem se manter relevantes por tanto tempo.
Risco de aquisição: Take-Two está segura?
Apesar de sua posição atual, Zelnick não descarta a possibilidade de a Take-Two se tornar alvo de uma oferta de compra. "Sempre corremos o risco de alguém querer nos adquirir, já que somos uma empresa pública e não temos controle acionário definido", afirmou. No entanto, ele minimiza a ameaça, destacando o crescimento da companhia sob sua gestão nos últimos 18 anos.
"Fomos sempre um alvo em potencial porque somos uma empresa pública. Nossa melhor proteção para permanecer independente é fazer o melhor trabalho possível para os acionistas", declarou. Com um portfólio robusto — que inclui não apenas GTA, mas também franquias como NBA 2K e Borderlands — e um foco crescente no mobile, a Take-Two parece determinada a escrever seu próprio futuro, seja por meio de crescimento orgânico ou aquisições estratégicas.