O Bumble, um dos principais aplicativos de namoro do mundo, está prestes a abandonar uma de suas funcionalidades mais icônicas: o 'deslize' (ou swipe), responsável por milhões de conexões — e também desentendimentos. A decisão foi anunciada pela fundadora e CEO da empresa, Whitney Wolfe Herd, durante participação no programa The Axios Show, nesta quarta-feira (14).
Por que isso importa?
Whitney Wolfe Herd retornou ao comando do Bumble no ano passado com o desafio de revitalizar a plataforma. Agora, a estratégia inclui abandonar recursos tradicionais para apostar em inteligência artificial (IA) e atrair novos usuários, em meio a um rebranding previsto para este ano. A mudança chega em um momento crítico para a empresa, que enfrenta queda no faturamento, cansaço dos usuários com aplicativos de namoro — especialmente entre a geração Z — e forte concorrência de rivais como Tinder e Hinge.
Detalhes da mudança
Durante a entrevista, Wolfe Herd afirmou que o Bumble está se despedindo do swipe e dando as boas-vindas a algo que, segundo ela, será revolucionário para o setor. As alterações começarão a ser implementadas em alguns mercados selecionados a partir do quarto trimestre de 2024. No entanto, a executiva não detalhou exatamente o que substituirá o sistema atual.
Outra mudança significativa será o fim da regra que obrigava as mulheres a iniciarem a conversa após um match. "Não forçaremos um gênero a agir primeiro", declarou Wolfe Herd. Contudo, ela garantiu que a essência da plataforma — que sempre incentivou as mulheres a darem o primeiro passo — será mantida.
Contexto do mercado de aplicativos de namoro
O Tinder, líder global no segmento, popularizou o swipe como método de seleção, enquanto o Bumble, segundo colocado, agora abandona a ferramenta. Já o Hinge, outro concorrente relevante, nunca adotou o sistema. Em vez disso, os usuários precisam interagir com perfis (curtindo fotos ou respondendo a perguntas) antes de obter um match.
Alguns aplicativos têm experimentado mecanismos anti-swipe diante da crescente insatisfação dos usuários com o excesso de rolagem infinita e a superficialidade das conexões.
Desafios financeiros e queda nas ações
Os aplicativos de namoro enfrentam dificuldades há anos, com críticas de investidores. As ações do Bumble caíram mais de 90% desde seu IPO em 2021, e o crescimento de usuários pagantes estagnou. A empresa já havia dado pistas sobre a mudança nesta quarta-feira, com uma publicação enigmática nas redes sociais, sem muitos detalhes.
A visão da CEO
"As pessoas estão exaustas, sentem fadiga. Elas acreditam que o swipe degradou suas vidas amorosas."
Próximos passos
O episódio completo da entrevista com Whitney Wolfe Herd será lançado na próxima semana no canal do Axios no YouTube. A reformulação do Bumble promete redefinir a experiência de namoro digital, mas ainda há dúvidas sobre como a IA será integrada e se as mudanças serão suficientes para reverter a queda no engajamento.