A maioria dos americanos apoia os sindicatos, segundo dados de 2025 da Gallup. Enquanto gigantes como Amazon, Starbucks e Apple resistem à sindicalização, a Otis Worldwide — empresa líder em elevadores e escadas rolantes — adota uma postura diferente. Com 64% de seus funcionários nos EUA regidos por acordos coletivos, a CEO Judy Marks explica por que valoriza a força de trabalho sindicalizada.

Em entrevista para celebrar o Dia Internacional dos Trabalhadores (1º de maio), Marks destacou que os sindicatos oferecem previsibilidade e estabilidade em um cenário corporativo cada vez mais volátil. "Como CEO, eu adoraria previsibilidade em tudo o que fazemos, mas isso é especialmente valioso na área trabalhista, que é crítica para nós", afirmou.

Dos 72 mil funcionários da Otis, 45 mil são trabalhadores de linha de frente, responsáveis por instalações, reparos e manutenção. Segundo Marks, os acordos sindicais não apenas garantem custos e disponibilidade de mão de obra, mas também reforçam uma cultura de segurança.

O contrato da Otis com a International Union of Elevator Constructors, que abrange trabalhadores nos EUA e Canadá, estabelece regras rigorosas para manuseio de equipamentos e medidas adicionais de proteção. "Ter um conjunto consistente de regras que possamos aplicar em todo o território norte-americano é fundamental para proteger nossos colegas, mecânicos e o público que utiliza nossos elevadores", explicou Marks.

Tecnologia e sindicatos: uma parceria estratégica

Com a crescente adoção de inteligência artificial no setor, Marks foi questionada sobre o impacto dessas ferramentas nos funcionários de campo. A Otis já utiliza software preditivo há anos para apoiar suas equipes. Segundo a CEO, a IA não substituirá os trabalhadores, mas os capacitará: "Olho para eles e digo: ‘Vocês terão emprego. Terão oportunidades significativas’", afirmou, descrevendo a visão da empresa como "liderada por humanos e impulsionada por IA".

Como exemplo, Marks citou ferramentas que auxiliam os mecânicos a priorizar chamados de serviço com base em dados em tempo real. "Nossa abordagem é human-led e AI-enabled, garantindo que a tecnologia amplie — e não substitua — o trabalho especializado de nossos profissionais", declarou.

A estratégia da Otis contrasta com a de outras empresas que veem os sindicatos como obstáculos. Para Marks, a colaboração com os sindicatos não é apenas uma questão de conformidade, mas uma vantagem competitiva que promove segurança, eficiência e satisfação tanto para funcionários quanto para clientes.