A administração Trump anunciou, em 2024, o pagamento de quase US$ 1 bilhão à TotalEnergies para cancelar contratos de energia eólica offshore nos EUA. O acordo foi apresentado como uma troca vantajosa: o governo reembolsaria a empresa pelos custos dos contratos, enquanto a TotalEnergies redirecionaria os recursos para projetos de petróleo e gás nos EUA.
No entanto, documentos recém-divulgados pelo Bureau of Ocean Energy Management revelam que o acordo não exigia novos investimentos da empresa francesa. Os termos permitiam que a TotalEnergies usasse gastos já realizados em projetos de petróleo e gás, inclusive antes da assinatura do acordo, para justificar o reembolso.
Segundo os documentos, a empresa deveria gastar o equivalente ao valor dos contratos de energia eólica em projetos de energia convencional entre 18 de novembro de 2025 e 30 de setembro de 2026. Os gastos elegíveis incluíam investimentos diretos em projetos próprios ou em parcerias com outras empresas. Após aplicar os recursos, a TotalEnergies poderia apresentar uma auditoria de terceiros ao Departamento do Interior para cancelar os contratos.
Um dos projetos beneficiados foi o Rio Grande LNG, terminal de exportação de gás natural liquefeito que a TotalEnergies já havia aprovado em setembro de 2023. A empresa gastou os US$ 928 milhões em menos de 21 semanas, cancelando dois contratos: o de Carolina Long Bay, na Carolina do Norte, em 2 de abril, e o Attentive Energy, em Nova Jersey, em 13 de abril.
Críticas ao acordo
Kit Kennedy, diretora de energia e clima do Natural Resources Defense Council, classificou o acordo como um "favoritismo". Segundo ela, a inclusão do projeto Rio Grande LNG no acordo demonstra que o pagamento foi uma forma de compensar a empresa por não investir em energia eólica offshore nos EUA.
"A ironia de entregar US$ 1 bilhão a essa desenvolvedora em um momento em que os americanos lutam para pagar suas contas de luz é inaceitável. Esse dinheiro vem dos contribuintes, e o resultado líquido desses acordos será o aumento das contas de energia para os cidadãos."
A TotalEnergies não respondeu a pedidos de comentário. O Departamento do Interior, por sua vez, não forneceu respostas diretas, mas emitiu uma declaração genérica afirmando que o acordo seguiu as leis e regulamentos aplicáveis.