O mercado imobiliário norte-americano enfrenta um novo cenário após o boom da pandemia. Enquanto a demanda aquecida absorvia rapidamente os imóveis novos disponíveis, o cenário mudou. A D.R. Horton, maior construtora de casas dos EUA, é um exemplo claro dessa transformação.
Em seu segundo trimestre fiscal de 2022, a empresa registrava apenas 600 casas prontas e não vendidas. Em comparação, no mesmo período de 2020, esse número era de 4,7 mil. No entanto, com o fim do boom imobiliário pandêmico e a desaceleração do mercado, o estoque de imóveis não vendidos voltou a subir.
No fechamento do segundo trimestre fiscal de 2025 (encerrado em 31 de março), a D.R. Horton tinha 8,4 mil casas prontas e não comercializadas. Já no segundo trimestre fiscal de 2026, o número caiu para 5,5 mil, graças a uma estratégia agressiva para reduzir o estoque.
Por que reduzir o estoque de casas prontas é crucial?
Casas prontas e não vendidas impactam diretamente as margens de lucro das construtoras. Quanto mais tempo um imóvel permanece parado, maiores são os custos de manutenção e a necessidade de descontos para atrair compradores. Segundo o CEO Paul Romanowski, em ligação de resultados do dia 21 de abril:
"Os imóveis não vendidos caíram 25% desde dezembro e 35% em relação ao ano passado. Tanto a porcentagem de imóveis não vendidos em relação ao estoque total quanto os imóveis prontos não vendidos estão nos menores níveis desde o segundo trimestre fiscal de 2023."
Romanowski também destacou que a empresa espera reduzir ainda mais os lançamentos no terceiro trimestre, ajustando a produção às condições atuais do mercado.
Estratégias para reduzir o estoque: incentivos e controle de lançamentos
A D.R. Horton adotou duas medidas principais para reduzir seu estoque de casas prontas:
- Redução de lançamentos especulativos: A empresa diminuiu o ritmo de construções sem comprador garantido, especialmente em mercados-chave como Flórida e Texas, onde a demanda enfraqueceu.
- Incentivos agressivos: A construtora aumentou os incentivos de vendas, como redução de taxas de hipoteca, para atrair compradores. Esses incentivos representam cerca de 10% da receita, um percentual elevado em comparação à média do setor, que varia entre 4% e 6% em períodos de equilíbrio entre oferta e demanda.
Jessica Hansen, executiva da D.R. Horton, afirmou aos analistas durante a apresentação de resultados:
"Esperamos que a margem bruta de vendas de nossas casas seja de 19,7% ou ligeiramente superior no terceiro trimestre, graças à redução de custos de construção em imóveis fechados."
Essas estratégias tiveram impacto positivo: as novas encomendas líquidas da empresa cresceram 11% em relação ao ano anterior.
O que o futuro reserva para o mercado imobiliário?
Embora alguns dos principais mercados da D.R. Horton ainda enfrentem dificuldades, a desaceleração tem se tornado menos acentuada. A empresa conseguiu reduzir seu estoque de casas prontas e não vendidas, mas o desafio de equilibrar oferta e demanda continua. Com incentivos elevados e um controle mais rígido nos lançamentos, a construtora busca se adaptar a um mercado que já não é mais dominado pela alta demanda do período pandêmico.