Queda acentuada nas vendas de EVs na China

A China registrou 1,2 milhão de veículos elétricos (EVs) no primeiro trimestre, mas as vendas caíram quase 20% em comparação ao mesmo período do ano passado. A redução da demanda foi impulsionada, principalmente, pela retirada de subsídios governamentais, que antes cobriam até um terço do preço de compra de modelos de entrada.

Impacto nos principais fabricantes chineses

O recuo afetou fortemente a BYD, cujas vendas despencaram quase 40%. Para compensar, a empresa aumentou suas exportações, enviando mais de 300 mil veículos no período — um crescimento de 100 mil unidades em relação ao primeiro trimestre de 2025. No entanto, os prejuízos no mercado doméstico ainda superam os ganhos internacionais.

A Geely também ampliou suas exportações, atingindo 147,3 mil unidades, quase o dobro do registrado no ano anterior.

Marcas alemãs perdem participação no mercado chinês

As cinco maiores montadoras alemãs — Volkswagen, Audi, BMW, Mercedes-Benz e Porsche — viram sua participação no mercado de EVs cair para apenas 1,6%, o menor patamar já registrado. No primeiro trimestre, foram comercializadas apenas 19,2 mil unidades dessas marcas, uma queda de 55% em relação ao ano passado.

Os números mais críticos foram da Volkswagen, com queda de 72% nas vendas de EVs, seguida pela BMW (-65%) e Mercedes-Benz (-14%).

Estratégias para reverter o cenário

Para enfrentar a queda nas vendas, as montadoras alemãs estão buscando parcerias locais e desenvolvendo modelos específicos para o mercado chinês. A Audi, em colaboração com a SAIC, lançou a marca AUDI exclusiva para a China e já prepara um terceiro modelo elétrico. A Volkswagen, por sua vez, firmou parceria com a Xpeng e apresentou no Salão de Pequim os modelos ID. Aura T6 e ID. Unyx 09, produzidos localmente com redução de custos de até 40%.

A Mercedes-Benz e a BMW adotam abordagens distintas. A Mercedes lançará na China os modelos elétricos GLC EQ e a nova Classe C elétrica, produzidos em parceria com uma empresa local. Já a BMW apresentará no mercado chinês versões alongadas do iX3 e i3, ambas produzidas localmente.

Perspectivas para o futuro

Analistas não veem sinais de recuperação rápida no mercado chinês de EVs. A retirada de subsídios e a concorrência acirrada com fabricantes locais continuam a pressionar as vendas. Enquanto isso, as montadoras buscam alternativas para manter sua presença no maior mercado automotivo do mundo.