Por que o ombro dói?

O ombro é a articulação mais complexa e móvel do corpo, o que o torna especialmente suscetível a lesões em todas as idades. Segundo Ilya Voloshin, chefe da Divisão de Ombro e Cotovelo do Departamento de Ortopedia da Universidade de Rochester, "a dor no ombro é um problema comum, geralmente relacionado ao envelhecimento e ao desgaste diário, mas lesões traumáticas agudas também podem ocorrer".

Causas comuns de dor no ombro

Com o passar dos anos, os tendões tornam-se mais frágeis e propensos a lesões, muitas vezes decorrentes de movimentos repetitivos ou excessivos sem o devido condicionamento, alongamento ou aquecimento. Além disso, a dor pode surgir de lesões agudas, como:

  • Quedas;
  • Levantamento de objetos pesados (como sacolas de mercado);
  • Trabalhos no jardim;
  • Atividades esportivas, como tênis ou golfe.

A dor no ombro também pode estar relacionada a problemas nervosos. Condições como artrite cervical ou síndrome do túnel do carpo, por exemplo, podem irradiar a dor para o ombro e a escápula.

Hábitos do dia a dia que prejudicam os ombros

Algumas atitudes cotidianas podem contribuir para o surgimento ou agravamento da dor, como:

  • Posição ao dormir: Dormir de lado pode pressionar excessivamente a articulação do ombro. Tente mudar de posição para reduzir a compressão e aliviar a dor;
  • Levantar objetos pesados: Fazer isso de forma inadequada sobrecarrega os ombros. Flexione os joelhos e mantenha os braços próximos ao corpo;
  • Postura na mesa: Ficar sentado em frente ao computador com os ombros curvados reduz o espaço do manguito rotador, causando compressão dolorosa dos tendões e músculos. Manter uma postura ereta permite que a articulação se movimente livremente.

Lesões comuns no ombro e seus sintomas

Lesão do manguito rotador

O manguito rotador é o problema de ombro mais frequente, afetando quase todas as pessoas em algum momento da vida. Os sintomas incluem:

  • Dor aguda ao mover o braço para trás ou para o lado;
  • Dor surda que piora à noite (comum em lesões do manguito rotador);
  • Dificuldade para dormir devido à dor, especialmente quando deitado.

Quando você está em pé, a gravidade ajuda a estabilizar a cabeça do úmero na cavidade articular. Ao deitar, essa estabilização fica comprometida, o que pode causar dor noturna. Dormir em posição mais ereta ou em uma cadeira reclinável pode ajudar a aliviar o desconforto.

Ombro congelado (capsulite adesiva)

Ocorre quando a pessoa deixa de movimentar o braço, permitindo a formação de tecido cicatricial ao redor da articulação, o que torna os movimentos extremamente dolorosos. No entanto, cerca de 80% dos casos melhoram sem cirurgia. "Se você sentir qualquer tipo de dor no ombro que não seja causada por fratura ou deslocamento, continue movimentando-o", recomenda Voloshin. "Uma vez que o ombro 'congele', o processo de recuperação se torna muito mais lento. A fisioterapia é o primeiro passo, e injeções de cortisona podem ajudar."

Impacto no ombro (impingement)

Existem dois tipos de impacto no ombro:

  • Impacto externo: ocorre acima do manguito rotador, geralmente devido a movimentos repetitivos com o braço elevado;
  • Impacto interno: afeta a parte posterior do ombro, comum em atletas que praticam esportes com arremessos, como beisebol ou natação.

Quando procurar ajuda médica?

Consulte um médico se a dor persistir por mais de alguns dias, se houver inchaço, vermelhidão, febre ou se a mobilidade do ombro estiver gravemente limitada. Lesões graves, como fraturas ou deslocamentos, também exigem atenção imediata.

Dicas para prevenir dores no ombro

  • Faça alongamentos diários para manter a flexibilidade;
  • Fortaleça os músculos do ombro com exercícios específicos;
  • Evite carregar peso excessivo de forma inadequada;
  • Mantenha uma postura correta ao trabalhar ou usar dispositivos eletrônicos;
  • Incorpore pausas regulares para movimentar os ombros durante atividades repetitivas.

"O ombro é uma articulação delicada, mas com cuidados simples é possível evitar dores e lesões. A prevenção começa com a conscientização sobre os movimentos do dia a dia e a adoção de hábitos saudáveis."

— Ilya Voloshin, chefe da Divisão de Ombro e Cotovelo, Universidade de Rochester