Exercícios intensos são mais eficazes para melhorar o sono em idosos com comprometimento cognitivo

Um novo estudo da Texas A&M University indica que exercícios físicos de alta intensidade são os mais eficazes para reduzir as interrupções no sono de idosos com comprometimento cognitivo leve. A pesquisa, publicada na revista Digital Health, analisou dados de sete participantes em uma unidade de cuidados prolongados nos Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, tanto atividades leves quanto vigorosas podem reduzir as perturbações do sono, mas os exercícios intensos apresentaram os melhores resultados. Enquanto caminhadas leves ou alongamentos são frequentemente recomendados, e exercícios moderados como corrida também são sugeridos, o estudo demonstrou que a intensidade elevada é a mais benéfica.

Metodologia e descobertas

Os pesquisadores Jungjoo “Jay” Lee e Junhyoung “Paul” Kim, especialistas em saúde digital e comportamento, utilizaram Anéis Oura para medir o impacto de diferentes intensidades de exercício no sono de idosos com comprometimento cognitivo leve. Durante 14 dias, os participantes foram monitorados quanto ao nível de atividade (leve, moderada ou vigorosa) e à qualidade do sono, com base em dados como movimento físico, variações na frequência cardíaca e mudanças na temperatura da pele.

Os resultados revelaram que, a cada segundo adicional de exercício vigoroso, as interrupções no sono diminuíram em quase 0,2 segundo. Atividades leves também apresentaram melhora, embora em menor escala, enquanto exercícios moderados não tiveram impacto significativo.

Importância do sono para a saúde cognitiva

O estudo destaca que o sono de qualidade reduz o risco de desenvolvimento de demência, condição que afeta milhões de idosos em todo o mundo. Estima-se que, nos Estados Unidos, entre 8 e 10 milhões de pessoas com mais de 65 anos vivam com comprometimento cognitivo leve, condição que pode preceder a demência. Esses indivíduos tendem a dormir cerca de 34 minutos a menos por noite, demoram mais para adormecer e passam mais tempo acordados durante a noite.

“A maioria dos estudos anteriores sobre sono nessa população dependia de relatos dos próprios participantes, o que pode ser problemático para pessoas com comprometimento cognitivo. Nós utilizamos uma medição mais objetiva.”

Jungjoo “Jay” Lee, especialista em saúde digital

Apesar das limitações do estudo, como o pequeno tamanho da amostra e a falta de diferenciação entre tipos específicos de exercício (como treinamento cardiovascular ou de força), os pesquisadores acreditam que os achados preenchem uma lacuna importante.

Recomendações para melhorar a qualidade de vida

Com o envelhecimento da população, a projeção é que o número de idosos com comprometimento cognitivo leve nos EUA cresça 76% até 2060, chegando a mais de 21 milhões de pessoas. Nesse contexto, os pesquisadores sugerem que programas de exercícios personalizados, como clubes de caminhada em grupo ou aulas de natação, podem ser soluções práticas, divertidas e duradouras para melhorar a qualidade de vida dessa população.

Fonte: Texas A&M University