A ministra Ketanji Brown Jackson, nomeada para a Suprema Corte dos EUA em 2022, está redefinindo a dinâmica do tribunal não pelo conteúdo de suas decisões, mas pela forma como conduz os debates. Com um estilo que prioriza a quantidade sobre a qualidade, Jackson tem chamado atenção por monopolizar o tempo de discussão, falando mais do que todos os outros juízes juntos.

Dominância nos debates: Jackson fala mais do que todos os colegas

Segundo análise do especialista Adam Feldman, Jackson proferiu mais de 53 mil palavras durante os debates orais no atual mandato — um número significativamente superior aos 35 mil de Sônia Sotomayor e 30 mil de Elena Kagan, as segundas colocadas. Para se ter uma ideia, a soma das palavras ditas pelo presidente da Corte, John Roberts, e pelos juízes Clarence Thomas e Amy Coney Barrett não chega ao total de Jackson. Nem mesmo a soma de Brett Kavanaugh e Neil Gorsuch supera o volume de suas intervenções.

Feldman destaca ainda que, em nove dos dez casos mais longos do mandato, Jackson foi responsável por mais de 25% de todas as palavras proferidas pelos juízes. Um padrão que foge ao comum, mesmo em comparação a ministros conhecidos por questionamentos extensos, como Stephen Breyer, cujas intervenções, embora longas, eram consideradas mais relevantes.

Dissidências isoladas e críticas dos colegas

Além de dominar os debates, Jackson tem se destacado por dissidências radicais que, muitas vezes, não encontram apoio nem mesmo entre os colegas progressistas da Corte. Em um caso recente, ela foi a única a acusar a maioria de partidarismo, o que levou o juiz Samuel Alito a publicar uma réplica em caráter de urgência. A ministra também tem sido alvo de críticas por atrasar decisões emergenciais, como no caso Libby v. Fectau, onde demorou para solicitar respostas antes de a Corte conceder alívio emergencial — ao contrário de Alito, que agiu rapidamente em outro caso envolvendo a pílula abortiva Mifepristone.

Impacto limitado e reações mistas

Embora Jackson seja a primeira ministra negra da Suprema Corte, suas contribuições para a formação de precedentes ou mudanças de opinião entre os colegas são questionáveis. Suas posições extremas, como a defesa de políticas de ação afirmativa em universidades, raramente são acompanhadas por outros juízes, inclusive pelos progressistas. Especialistas e observadores da Corte sugerem que seu estilo prolixo e dissidências solitárias podem estar minando sua influência, em vez de ampliá-la.

"Jackson fala mais, mas convence menos. Sua abordagem não está mudando mentes na Corte, nem parece estar mudando corações fora dela."

O que esperar do futuro da KBJ na Suprema Corte?

Com apenas dois anos no cargo, ainda é cedo para avaliar o legado de Jackson. No entanto, seu estilo atual — marcado por longos questionamentos e posições radicais — já gera debates sobre o papel de um juiz na Suprema Corte. Enquanto alguns defendem que sua voz deve ser ouvida, outros questionam se a quantidade de palavras está substituindo a qualidade do debate jurídico.

Uma coisa é certa: a KBJ está se tornando sinônimo de uma magistrada que, mais do que influenciar, está trabalhando duro para ser ouvida — mesmo que, muitas vezes, sozinha.

Fonte: Reason