A MicroStrategy (MSTR), empresa listada na NASDAQ, anunciou nesta segunda-feira a aquisição de mais 535 Bitcoins, totalizando aproximadamente US$ 43 milhões em investimentos. A compra foi realizada a um preço médio de US$ 80.340 por Bitcoin, conforme divulgado em um Form 8-K apresentado à SEC.

Com essa operação, a empresa agora detém 818.869 BTC, adquiridos por cerca de US$ 61,86 bilhões, com custo médio de US$ 75.540 por unidade. Até o momento, a valorização acumulada do portfólio em 2026 chega a 9,4%.

A compra foi financiada com US$ 0,1 milhão levantados via programa STRC ATM da empresa e US$ 42,9 milhões provenientes de sua oferta MSTR ATM.

Saylor esclarece estratégia após sinalizar possíveis vendas

A decisão ocorre seis dias após o presidente executivo Michael Saylor declarar, durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, que a MicroStrategy estaria aberta a vender uma pequena parte de suas reservas de Bitcoin. A declaração surpreendeu investidores, que há anos acompanham a estratégia unidirecional da empresa de acumulação contínua de BTC.

Em resposta às críticas, Saylor reforçou em um podcast no fim de semana que, para cada Bitcoin vendido, a empresa compraria 10 a 20 vezes mais. "Você deve ser um acumulador líquido de Bitcoin. O objetivo é terminar cada ano com mais Bitcoin do que começou", afirmou.

A compra anunciada nesta segunda-feira reforça que a estratégia de aquisição não foi interrompida, mesmo diante de pressões financeiras.

Pressões contábeis e oportunidades fiscais

No primeiro trimestre de 2026, o Bitcoin caiu 23%, passando de US$ 87.500 para US$ 67.700. Com a adoção das normas FASB de contabilidade a valor justo em janeiro de 2025, a MicroStrategy é obrigada a registrar perdas não realizadas em seu balanço trimestralmente. No Q1, a empresa registrou uma perda não realizada de US$ 12,54 bilhões diretamente no demonstrativo de resultados.

Mais de 434 mil Bitcoins da empresa foram adquiridos acima de US$ 80 mil, gerando uma perda não realizada de US$ 7,6 bilhões e um ativo fiscal diferido de US$ 2,2 bilhões, considerando uma alíquota efetiva de 29%.

Segundo analistas, a possibilidade de venda não reflete uma mudança de postura ideológica, mas sim uma estratégia de otimização fiscal. Em dezembro de 2022, a empresa já havia realizado uma operação semelhante: vendeu 704 BTC a US$ 16.776 e recomprou 810 BTC dois dias depois, aproveitando prejuízos para compensar ganhos passados.

Decisões baseadas em matemática, não em ideologia

O CEO Phong Le deixou claro durante a teleconferência que a empresa prioriza números em detrimento de crenças. "Acredito em matemática acima de ideologia. Se vender Bitcoin ou ações for mais vantajoso para o Bitcoin por ação e para os acionistas comuns, nós o faremos", declarou.

A MicroStrategy enfrenta obrigações financeiras significativas, como US$ 8,2 bilhões em dívida conversível e US$ 1,5 bilhão anuais em dividendos vinculados a suas ações preferenciais perpétuas (STRC). Esses compromissos podem não ser sempre cobertos de forma favorável apenas com emissões de ações, o que reforça a importância do Bitcoin por ação como métrica central em suas decisões de financiamento.

Analistas do JPMorgan estimam que, mantendo o ritmo atual, a empresa poderia investir cerca de US$ 30 bilhões em Bitcoin ao longo de 2026.