O novo clipe de Lady Gaga, "Runway", produzido em colaboração com a cantora Doechii para a trilha sonora de The Devil Wears Prada 2, tem chamado atenção — e não apenas pelo visual impactante. Com figurinos de alta costura, coreografias intensas e uma estética colorida e exagerada, o vídeo segue a linha esperada para um lançamento da artista. No entanto, para alguns espectadores, o resultado lembra mais um comercial da Target do que uma produção musical de ponta.
As reações nas redes sociais, especialmente após um tuíte da conta Popcrave sobre o vídeo, mostram comentários que comparam o clipe a um anúncio da rede varejista. A semelhança não é mera coincidência. Se as listras pretas e brancas do cenário principal fossem substituídas por círculos vermelhos e brancos, o vídeo poderia facilmente passar por um comercial exclusivo da Target, com faixas bônus de um álbum disponível apenas na loja.
Nos anos 2000 e 2010, a Target se tornou conhecida por produzir comerciais musicais estrelados por grandes nomes, como Beyoncé, Christina Aguilera e Taylor Swift. Esses vídeos, muitas vezes filmados ao vivo durante premiações como o Grammy, ofereciam aos artistas uma plataforma criativa única. Além de promoverem álbuns exclusivos, os comerciais incorporavam elementos visuais da marca, como o logotipo vermelho e contrastes gráficos, que se tornaram marcas registradas do estilo Target.
Detalhes como cenários de alto contraste ou listras pretas e brancas em vídeos de artistas, como o comercial ao vivo de Gwen Stefani para "Make Me Like You" (2016), reforçavam a identidade visual da marca. Essa estratégia não só impulsionava as vendas de álbuns exclusivos em suas lojas físicas, como também dava à Target um status cultural único na época.
Embora a Target ainda venda álbuns exclusivos, sua estratégia de marketing mudou. Os comerciais elaborados, com coreografias personalizadas e transmissões ao vivo em premiações, ficaram para trás. Lady Gaga, inclusive, já lançou álbuns exclusivos pela rede, como Mayhem e Chromatica, mas nunca filmou um comercial próprio para a marca. Mesmo assim, o clipe de "Runway", dirigido pela coreógrafa Parris Goebel (que também dirigiu "Abracadabra"), parece ter sido inspirado nesse estilo.
O vídeo é marcado por uma direção criativa gráfica, contrastes fortes, cores vibrantes e uma abordagem teatral. As coreografias, repletas de performances competitivas, lembram episódios do RuPaul’s Drag Race, onde cada dançarino busca superar o outro. Enquanto alguns críticos consideram o vídeo uma repetição de fórmulas antigas, outros enxergam sua extravagância como uma homenagem intencional aos anos 2010.
Lady Gaga reforça essa nostalgia ao usar um vestido azul brilhante da marca Robert Wun, combinado com uma peruca loira que remete ao icônico clipe de "Telephone", de 2010. A referência não é aleatória: é um tributo deliberado ao passado. Se há mais um motivo para o vídeo soar como um retorno ao estilo antigo, é o fato de que o Pride corporativo perdeu parte de seu apelo original.