BOSTON — Um medicamento cada vez mais utilizado para reduzir os riscos de efeitos colaterais graves em terapias genéticas pode, na verdade, comprometer a eficácia do tratamento, segundo um novo estudo.

A pesquisa, conduzida pela startup Encoded Therapeutics, avaliou uma terapia genética direcionada à síndrome de Dravet, uma forma severa de epilepsia genética. Um dos principais desafios em terapias genéticas é a possibilidade de os pacientes desenvolverem uma resposta imunológica contra os vírus modificados usados para transportar novos genes ao cérebro.

No estudo, a Encoded Therapeutics administrou esteroides — o imunossupressor mais comum — à maioria dos 21 participantes, crianças com idades entre 2 e 18 anos. Um grupo menor, incluindo a maioria dos pacientes que receberam a dose mais alta do tratamento, também foi medicado com rapamicina (também conhecida como sirolimus), um fármaco tradicionalmente usado para prevenir rejeição em transplantes de órgãos.

Os resultados preliminares sugerem que a combinação de rapamicina com a terapia genética pode ter reduzido a eficácia do tratamento, embora os pesquisadores ainda estejam analisando dados para confirmar essa hipótese. A descoberta levanta questionamentos sobre o uso de imunossupressores em terapias genéticas e a necessidade de estratégias mais seguras para minimizar reações adversas sem comprometer os resultados.

Especialistas destacam que, embora a rapamicina seja eficaz no controle de respostas imunológicas, seu impacto negativo potencial sobre a terapia genética exige uma reavaliação cuidadosa dos protocolos clínicos atuais.