O Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos decidiu, nesta quinta-feira (13), que a nova rodada de tarifas de 10% aplicada pelo ex-presidente Donald Trump é ilegal. No entanto, os impostos devem permanecer em vigor enquanto o governo federal recorre da decisão.

A decisão representa mais um revés legal para a política comercial da administração Trump, que já havia sofrido derrotas semelhantes no Supremo Tribunal Federal. Desta vez, o tribunal questionou a legalidade de uma série de tarifas impostas para substituir aquelas derrubadas pela Suprema Corte em fevereiro.

Como as tarifas foram impostas

Trump acionou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, uma provisão raramente utilizada, no mesmo dia em que a Suprema Corte derrubou a maior parte de suas tarifas anteriores. A medida estabeleceu uma sobretaxa de 10% sobre todas as importações, inicialmente prevista para expirar em 24 de julho.

A lei permite que o presidente imponha tarifas temporárias de até 15% por até 150 dias para combater déficits significativos no balanço de pagamentos. No entanto, o tribunal considerou que a interpretação da lei por Trump era excessivamente ampla, permitindo que o presidente identificasse déficits onde não existiam.

Quem contestou as tarifas

As empresas que moveram a ação judicial — uma fabricante de temperos e uma varejista de brinquedos — são representadas pelo Liberty Justice Center, mesmo grupo que ajudou a derrubar as tarifas anteriores no Supremo Tribunal Federal.

O tribunal também rejeitou os argumentos de 23 dos 24 procuradores-gerais estaduais que haviam ingressado na ação, alegando que os danos causados pelas tarifas eram indiretos demais para conferir legitimidade processual.

Decisão do tribunal: 'Poder ilimitado de tarifas'

"Se o presidente puder escolher entre subcontas para identificar um déficit no balanço de pagamentos, a menos que todas as subcontas estejam equilibradas, ele sempre poderá encontrar um déficit. Tal interpretação expansiva da lei daria ao presidente um poder ilimitado de tarifas, que pertence ao Congresso."

A decisão foi tomada por 2 votos a 1, com os juízes destacando que a lei não foi projetada para lidar com situações atuais.

O que o governo alegou

Durante as audiências do mês passado, o governo argumentou que o déficit em conta corrente — a medida mais ampla do que os EUA pagam ao resto do mundo versus o que recebe, da qual o déficit comercial faz parte — é o equivalente moderno ao que o Congresso pretendia na lei de 1974.

Já os autores da ação sustentaram que o tipo de crise monetária para a qual a lei foi criada não existe desde que os EUA abandonaram o padrão-ouro, na década de 1970.

Próximos passos: governo já tem 'plano B'

Segundo Tim Brightbill, sócio da Wiley Rein e especialista em comércio internacional, o governo já preparou um "plano C": as investigações já em andamento com base na Seção 301, que permite impor tarifas em resposta a práticas comerciais desleais.

Até o momento, a Casa Branca não se manifestou sobre a decisão.

Conclusão: tarifas no centro da agenda econômica de Trump

As tarifas sempre foram um pilar da agenda econômica de Trump, mas os tribunais têm repetidamente considerado ilegais as medidas adotadas para implementá-las. No entanto, como as tarifas atuais expiram em julho e o governo já sinalizou que novas medidas serão impostas antes disso, a vitória judicial pode não ter impacto prático imediato.

Fonte: Axios